
Antes que a chuva chegue: O destino do seu resíduo!
Como fazer o descarte consciente dos resíduos em casa ou na rua, principalmente em tempos chuvosos?
Iana Martins
05/12/2025

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Uma reflexão sobre como a confiança do consumidor brasileiro está cada vez mais ligada a práticas ambientais comprovadas, e como a geração de dados de impacto socioambiental fortalece a credibilidade das empresas, a partir da atuação da Hambis
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30/01/2026
Um guia prático para transformar resíduos em impacto positivo.
Hambis Hábitos Sustentáveis
01/06/2025

9/10/2026
Imagine duas piscinas olímpicas cheias de um líquido escuro e malcheiroso. Agora imagine que elas enchem de novo amanhã. E depois de amanhã.
É mais ou menos esse o volume de chorume que o Estado do Rio de Janeiro produz todo dia, segundo um estudo do Mestrado em Ciências do Meio Ambiente da Universidade Veiga de Almeida divulgado em setembro de 2026: 4,5 milhões de litros por dia, somando os 18 aterros analisados, com base em dados oficiais do SINISA de 2025.
O estudo também encontrou 803 milhões de litros já armazenados em 135 lagoas espalhadas pelo estado.
É o Rio, mas poderia ser qualquer lugar do Brasil que ainda enterra quase tudo o que gera.
Chorume, também chamado de lixiviado, é o líquido que escorre de dentro do lixo enterrado.
Ele se forma por dois motivos:
1. A água que já estava no lixo. Resto de comida, casca, borra de café e poda são mais de metade água. Quando esse material apodrece embaixo de toneladas de peso, a água sai.
2. A chuva que entra no aterro. Quanto pior a cobertura e a drenagem, mais água entra e mais líquido sai.
O problema é que esse líquido não é água suja comum. Ele sai carregado de matéria orgânica, nitrogênio e outros compostos, e precisa de tratamento específico antes de voltar ao ambiente.
O município paga três vezes pelo mesmo resto de comida.
Paga para coletar. Paga para enterrar. E paga de novo para tratar ou transportar o líquido que aquele material produziu depois de enterrado.
O estudo da UVA mostra o tamanho dessa logística: um único aterro enviou mais de 1,3 bilhão de litros de chorume para tratamento fora dele entre 2019 e 2023. Isso é caminhão, combustível, contrato e risco, todo dia.
O debate sobre chorume acontece sempre no fim da linha. Que tecnologia usar, qual o tamanho da lagoa, para onde mandar o caminhão.
Mas existe uma pergunta anterior: o que foi que entrou nesse aterro?
Porque chorume não aparece do nada. Ele acompanha a quantidade de material úmido que foi enterrado. E a fração mais úmida do lixo é justamente a orgânica, que costuma representar perto da metade do peso do resíduo urbano brasileiro.
Cada tonelada de resto de comida que não vai para o aterro é uma tonelada que não vira líquido depois.
E tem um efeito colateral: reciclável que viaja junto com comida chega encharcado e vira rejeito. Aí o município perde as duas coisas de uma vez, o material que valia dinheiro e o líquido que vai custar dinheiro.
Sendo honesta: nenhuma cidade zera chorume. Aterro antigo continua produzindo líquido por décadas depois de fechado, e chuva vai continuar caindo. Mas três medidas reduzem a geração futura, e todas dependem do município, não de tecnologia cara:
Nada disso é novidade técnica. O que falta, na maioria das cidades, é bem mais básico: saber quanto, de onde e de quem.
A Hambis é a camada de dados entre quem gera, quem coleta e quem administra o resíduo.
Na prática, isso significa medir o que realmente sai de cada região e de cada gerador, identificar e organizar os grandes geradores de material úmido, rastrear cada tonelada até a destinação com comprovação, e engajar quem separa, do morador à equipe de limpeza.
O resultado é a gestão decidindo com número na mão, em vez de decidir quando a lagoa já está cheia.
Comece pela pergunta mais simples: Quanto do lixo que a sua cidade enterra todo mês é resto de comida?
Se a secretaria não souber responder, esse é o primeiro problema a resolver. Todos os outros vêm depois.
O que é chorume? É o líquido que se forma dentro do lixo enterrado, vindo da água presente no próprio resíduo, principalmente do material orgânico, somada à chuva que infiltra no aterro.
Chorume é perigoso? Sim, se não for contido e tratado. Tem alta carga de matéria orgânica e nitrogênio e pode contaminar solo e água.
Como reduzir a geração de chorume? Enterrando menos material úmido, melhorando cobertura e drenagem do aterro e separando corretamente na origem.
Separar o lixo em casa ajuda? Ajuda, e mais do que parece. Orgânico desviado para compostagem é orgânico que não vira líquido no aterro.
Fonte: estudo do Mestrado Profissional em Ciências do Meio Ambiente da Universidade Veiga de Almeida, de autoria do professor Carlos Canejo, divulgado em 22 de setembro de 2026