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7/17/2025

Quando a máquina aprende a reciclar: A IA da Hambis e o futuro da triagem

Gilberto Beltrame Neto - CTO

Antes de falarmos em algoritmos, vamos olhar para o que nos motiva: Sustentabilidade. Boa parte dos resíduos recicláveis no Brasil se perde porque o processo de triagem é ineficiente, seja pela falta de infraestrutura, educação ambiental, ou pela sobrecarga humana, toneladas de materiais valiosos acabam em aterros ou são incineradas. Para piorar, há pouca visibilidade sobre o que realmente é coletado, reciclado ou rejeitado.

Na Hambis, a pergunta que fazemos todos os dias é: E se fosse possível transformar cada resíduo triado em um dado útil? E se pudéssemos tornar o trabalho das cooperativas mais justo, eficiente e digitalizado? Foi com esse questionamento em mente que decidimos desenvolver um sistema de visão computacional aplicado à triagem de recicláveis. Nosso objetivo é claro: transformar o descarte em um ponto de dados valioso, criando um fluxo de informações que até então é inexistente no nosso setor.

Hardware acessível e escalável: democratizando a tecnologia

A premissa é simples: a tecnologia precisa ser acessível. Isso significa não só um custo inicial baixo, mas também facilidade de manutenção e adaptabilidade a ambientes desafiadores. Optamos por plataformas de computação embarcada, combinadas com câmeras de boa qualidade e principalmente, investimos em custo-benefício desses materiais. A estrutura permite o processamento local das imagens (edge computing), minimizando a dependência de conectividade constante e processamento avançado em núvem.

Coleta de dados reais e variáveis no coração da triagem

Modelos de IA só são bons quando os dados são bons. No contexto da reciclagem, isso significa ir além de datasets ideais. Nosso compromisso é com a autenticidade dos dados. É por isso que estamos ativamente em campo, nas cooperativas, realizando gravações e a anotação criteriosa das imagens de resíduos – sujos, dobrados, contaminados, sob diferentes luzes – exatamente como eles chegam.

Essa fase crucial de "construção de dataset no mundo real" é o vai garantir que nossos algoritmos, baseados em redes neurais convolucionais (CNNs) amplamente utilizadas no mercado, evitem vieses e entreguem precisão nas condições reais. Cada imagem anotada constrói a base de uma inteligência aplicável e confiável.

Os desafios: a complexidade do cenário da reciclagem

Sabemos que o caminho é desafiador. Os obstáculos são inerentes a um setor que precisa de inovação:

Nós não fugimos desses desafios. Nós os abraçamos

Foto: Esteira de separação na cooperativa

Foto: Esteira de separação na cooperativa

Redefinindo o valor da reciclagem

Mais do que detectar resíduos, queremos criar inteligência coletiva na gestão de materiais recicláveis. Almejamos capacitar as cooperativas e o setor de reciclagem com dados e ferramentas para tomadas de decisão estratégicas.

Se conseguirmos:

Então, estaremos não apenas inovando tecnologicamente, mas reposicionando as cooperativas como protagonistas da economia circular. Com dados claros, elas poderão negociar melhor, comprovar seu impacto ambiental e social (ESG), atrair investimentos e influenciar políticas públicas.

Nosso valor está nos dados, na eficiência e na rastreabilidade que entregamos. O mercado é vasto – de municípios a grandes empresas com metas ESG – e a necessidade de inteligência em resíduos é urgente.

O futuro começa nos detalhes

Este projeto ainda está em construção, mas já revela algo poderoso: é possível levar tecnologia de ponta para onde ela realmente importapara perto das pessoas, das comunidades e dos desafios reais do dia a dia. A verdadeira inovação nasce da escuta atenta e da construção coletiva com quem vive os problemas e busca soluções com a gente.

Não queremos apenas aplicar IA. Queremos traduzir a inteligência artificial em impacto real, sustentável, rastreável e justo. Caso você queira acompanhar essa jornada ou contribuir com essa transformação, estamos de portas abertas!

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